Recordemos alguma informação e caracterizemos o teste.
Santa Cruz Blur XC
Ano: 2007
Cor: Preto Anodizado
Sistema de suspensão: VPP – Virtual Pivot Point
Amortecedor: Fox Float RP23
Tamanho: L
Início do teste: 1 de Julho de 2007
Final do teste: 05 de Agosto de 2007
Peso Total: 10924
Locais: Ericeira, Monsanto, Serra de Sintra e Nisa
Após 500kms chega a hora de fazer um pequeno balanço sobre a bicicleta e respectivo comportamento.
A forma mais fácil de abordar o assunto parece-me ser o destaque dos pontos mais relevantes dividindo-os em positivos e negativos. Comecemos então pelo pior.
Pneus
Se tivesse que referir qual a componente que me deu mais dores de cabeça falaria logo nos pneus Schwalbe Nobby Nic 2.1.
Há três aspectos bastante negativos:
• fraquíssima resistência aos furos (7 furos em 500kms é muito),
• falta de aderência do pneu da frente em curva com terreno solto e
• desgaste muito rápido.
Não me alongando demasiado diria que confirmei que o problema dos furos não era das câmaras porque montei a roda de trás com uma câmara bem mais resistente e mesmo assim acabou furada rapidamente. Todos os furos resultaram de perfuração do pneu. Usei pressões entre 40 e 45psi.
Quanto à falta de aderência à frente, por várias vezes estive perto da queda mas felizmente acabei por evitar sempre o pior. Obviamente que paguei caro na curva seguinte ao ver-me obrigado a descrevê-la mais devagar. Parece-me que a densidade e forma dos tacos não é lá muito favorável. Sou uma desgraça a curvar mas não é com estes pneus que consigo disfarçar mais ou menos esse facto.
Relativamente ao desgaste, os tacos laterais já estão bastante “comidos” na parte interior e duvido que durem muito mais do que outros 500kms. 1000 kms para uns pneus tão caros é um pouco puxado. A quantidade de alcatrão que tenho feito não deve chegar aos 10/15% por isso o problema é mesmo da qualidade da borracha.
Soluções: para os furos parece-me evidente que uma montagem sem câmara em muito favorecerá este ponto. Os furos eram sempre lentos e qualquer selante mediano daria conta deles. A falta de aderência à frente também poderá eventualmente beneficiar da montagem sem câmara dado que esta via permite que o pneu acompanhe mais de perto o terreno aumentando por conseguinte a qualidade do contacto. Também vou experimentar montar o pneu no sentido contrário para ver se extraio alguma vantagem nisso. Quanto ao desgaste nada a fazer senão chorar o avultado custo deste modelo.
Concluo dizendo que, compensando estes pontos negativos, os pneus apresentam pelo menos duas características de pura excelência:
• a aderência em situações de travagem ou procura de tracção para progredir é absolutamente indescritível face às experiências anteriores com outros modelos e marcas;
• 460/480 gramas para um pneu 2.1 com tacos com um relevo já significativo é algo excepcional.
Altura do eixo da pedaleira
O quadro Blur XC vem referido como tendo uma altura de eixo da pedaleira nos 32,5 cms. Retirem-se 11,5cms do curso da suspensão, cerca de 19,5cms do comprimento do conjunto dos pedaleiros, pedais e relevo dos sapatos e fica-se com menos de uns míseros 2cms entre a parte inferior do pedal e o chão. Aparentemente não deveria ser problema porque raramente se esgota o curso traseiro mas o que é certo é que nestes 500kms bati com um pedal no chão por 3 vezes.
Basta uma pequena irregularidade, uma ligeira inclinação na bicicleta ou ter uma pedalada em que se leva o sapato com algum um ângulo na extremidade inferior para se “comerem” os 2cms de folga. E atenção que os eggbeater da CrankBrothers são conhecidos pelo seu baixo perfil. Com outros pedais mais “grossos” ainda seria pior. Tenho receio de partir um pedal em mil bocados num destes dias.
Para minimizar o problema pode-se por mais pressão no amortecedor mas isso compromete o conforto e principalmente o próprio funcionamento do VPP no anular das forças de pedalada porque depende em muito do Sag utilizado. Por outras palavras, em situações em que previsivelmente se vai consumir grande parte do curso (nas três ocasiões aconteceu-me sempre a rolar a grande velocidade ao passar em valas fundas e largas) toca a parar de pedalar e a meter os cranks bem na horizontal.
Estranhamente a altura do eixo pedaleiro é a mesma nos tamanhos M e L. Penso que a Santa Cruz deveria analisar esta questão e, no modelo L, tentar subir o eixo de pedaleira mais 5 a 10mm. O facto da suspensão traseira ter 115mm de curso e não 100 como a da frente, deveria dar margem para alterar este parâmetro sem comprometer demasiado a restante geometria. Desconfio que os triângulos traseiros são iguais nos dois modelos daí esta "coincidência".
Impactos da corrente e dos cabos contra o quadro
A posição das escoras do lado direito não é nada amiga da respectiva pintura. As chicotadas de corrente são uma constante nesta bicicleta mesmo tendo um desviador SRAM X9 e não um Shimano que, como se sabe, tem os seus XT e XTR debaixo de muita crítica neste domínio. Houve por isso que proteger bem as escoras mas mesmo assim, em terrenos mais irregulares, sentem-se fortes pancadas da corrente. A passagem dos cabos também não é das melhores e, em alguns pontos, há que protejer bem o quadro antes que a pintura sofra.
Ruídos nos cabos Nokon
Estes cabos são excelentes para garantir uma solução de atrito mínimo com baixo peso mas, ao serem constituídos por dezenas de elementos independentes encaixados uns nos outros, acabam por ranger com as naturais vibrações da bicicleta criando mais uma fonte de ruído.
Dificuldades em sangrar adequadamente os travões Magura Marta SL
Os travões Magura Marta SL têm uma solução de manutenção muito pouco “limpa”. Em vez de possuir dois pontos de purga, o acesso ao líquido obriga a abrir a tampa do depósito junto ao manípulo. Ora isso faz com que seja particularmente cansativo fazer circular o respectivo óleo mineral no circuito de travagem porque é muitíssimo fácil que ele transborde e há que estar constantemente a recolhê-lo com uma segunda seringa.
Isso obriga a ser muito suave na injecção do fluido tornado mais difícil fazer sair as bolhas de ar mais teimosas. Felizmente que, após terminados os difíceis trabalhos de purga, podemos contar com um travão muitíssimo eficaz e facilmente doseável que em muito contribui para a segurança em velocidades mais elevadas.

Montagem dos apertos de roda Tune
Os apertos Tune pesam os dois 52 gramas exactos. Em conjunto pesam menos do que o “levíssimo” aperto traseiro das rodas Mavic CrossMax SLR. Agora o seu estilo minimalista obriga a que a alavanca não tenha batente interno. O que significa isto? Significa que as alavancas em vez de rodarem sobre o eixo 180 graus como as clássicas conseguem fazer a volta completa. Isso significa abrirem se ultrapassarem os 90 graus. Torna-se por isso obrigatório que o aperto seja feito de modo que o topo da alavanca fique encostado ao quadro ou à perna da suspensão. Se o quadro tem uma zona ideal para o fazer já do lado da suspensão a conversa é outra. Não deixo de pensar que num belo dia durante uma descida feita “à bruta” haverá uma rocha ou um pau que se conseguem enfiar entre a alavanca do aperto e a perna da suspensão forçando a abertura daquele com consequências catastróficas. Na foto é visível um rectângulo de fita cola no ponto onde o aperto tem que contactar a perna da suspensão. Obviamente que serve para protejer a pintura que de outro modo poderia ficar riscada.
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