Monday, August 27, 2007

Primeiro Sucesso

Ontem participei no passeio de Terrugem. 37 kms de trilhos variados, sobe e desce não muito exigente, muitíssima pedra, percurso marcado e andamento livre. Como habitualmente, há sempre um grupo mais espevitado que encara as coisas como se uma prova fosse e pelo menos esses acabam por meter um andamento a 100%.

Como tenho feito pouco treino de qualidade, aproveitei a oportunidade para fazer cerca de duas horas de esforço intenso e fui com o objectivo de ir a dar o máximo.

Decidi partir com um andamento contido mas suficientemente forte e logo se seleccionou um grupo líder de 4 que foi ganhando algum avanço. Esse avanço viria a perder-se na totalidade devido primeiro a um rebanho de ovelhas (!) que durante 3 minutos obstruiu completamente o caminho. Depois seguiu-se um problema de marcação do percurso que obrigou a voltar para trás uns bons 500 metros. Quanto às ovelhas foi bastante incómodo ver alguns dos bichos a saltar sobre a minha roda da frente e outros, em pânico, a baterem-me na bicicleta com a cabeça. Por pouco não caí.

Nesse processo complicado ficamos 3 na liderança mas, pouco depois, um furo reduziu a frente da “corrida” a dois. Foi nessa altura que se começaram a fazer sentir as maiores dificuldades técnicas e físicas e o avanço foi progressivamente aumentando.

Foi então possível analisar o desempenho da bicicleta face a um concorrente directo (com uma rígida) que aparentemente estava com um andamento muito próximo do meu.

Infelizmente para ele o percurso tinha zonas trialeiras muitíssimo exigentes e a Blur XC fez a diferença. Se a rolar não o conseguia sacudir da roda e a subir, apesar de nunca ter forçado muito, ele parecia firme, no que toca às descidas a diferença era abissal. Quanto mais exigente tecnicamente maior era a distância que lhe ganhava. Depois, fruto do meu andamento contido, recolava com crescente dificuldade (muitas das vezes também por causa da minha insegurança na interpretação das poucas marcações existentes).

Os sinais que ia dando não eram de facto dos melhores (praticamente nunca puxou, limitava-se a seguir na roda) e cedo percebi que seria uma questão de tempo até conseguir escapar-lhe. A folga sobre o terceiro era grande, eu sentia que estava melhor e ele regia-se pelo meu andamento por isso optei por não correr riscos, conservar energias e esperar pelo momento mais adequado para resolver a questão mas não deixando de aproveitar os pontos em que a bicicleta me dava vantagem para o desgastar mais. Evitei levar a decisão para um sprint porque, quando o adversário é 20 anos mais novo e se apresenta com os pelos das pernas bem rapadinhos, pode acontecer que as coisas não corram muito bem por essa via.

Já perto do final houve que atravessar um ribeiro a pé ao que se seguia uma subida com piso relativamente fácil (apenas uns quantos “degraus” não muito altos) mas pouca inclinação. Um elemento da organização entretanto avisou-nos que faltava muito pouco para terminar. Como vinha a contar com mais distância, trazia ainda alguma frescura física e claro que a bicicleta também me poupou bastante.

Não fiz um ataque fulminante mas meti um andamento duríssimo e ganhei cerca de 30 segundos com alguma facilidade. Depois foi só controlar até ao final.

Não tenho nenhuma dúvida em afirmar que, com uma rígida, nem por sombras teria chegado ao mesmo resultado.

O VPP fez-se sentir muitíssimo nas subidas mais técnicas, mastigando os obstáculos com afinco. Infelizmente a curta distância do eixo pedaleiro também quis aparecer na fotografia e, como consequência, penso que bati com o pedal em pedras ou mesmo nos limites de alguns buracos pelo menos umas cinco vezes.

As rodas também brilharam garantindo um retorno rápido à velocidade de cruzeiro após cada obstáculo.

Concluindo diria que a bicicleta se revelou perfeitamente ideal para este tipo de percurso.



Foto: cortesia de www.filipaqueiros.com

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