No passado dia 20 de Maio participei nos 50 kms da Volta ao Concelho de Mafra. Por muitos e variados motivos é a minha prova favorita. Em 2006 disputei-a pela primeira vez tendo terminado em 4.º lugar para minha enorme surpresa, principalmente porque tive uma queda feia e acabei por fazer quase 15 kms sem líquidos por ter perdido o bidon aquando do acidente.
Este ano preparei-me especificamente para ela, dando-me ao trabalho de reconhecer por várias vezes grande parte do percurso. Fisicamente penso que estava no meu melhor. Não só bati alguns records pessoais em percursos de teste de bicicleta de estrada como tinha alcançado um peso muitíssimo baixo (66 kg para os 1,83m que tenho de altura), ideal para uma prova deste tipo com subidas longas e particularmente inclinadas.
A acrescer ao conjunto penso que estava tecnicamente bem mais "maduro" na bicicleta (infelizmente ainda a rígida com 11,5 kg).
De início o pulsómetro não funcionava devido às interferências no local de partida. Ainda assim não me incomodei demasiado e lancei-me à primeira etapa com a moral no máximo. Como habitualmente, os mais fortes participantes na prova longa (100km) cedo revelaram os seus melhores níveis de preparação e desapareceram pelo caminho fora. No entanto penso que terminei a primeira etapa bem nos 10 primeiros absolutos com a certeza de que à minha frente seguiam poucos oponentes na distância curta.
Já num terreno bem conhecido sugiu outro problema. Um pequeno ramo enfiou-se na cassette fazendo saltar as mudanças. Perdi um minuto a retirá-lo e quando me preparava para enfrentar a pior subida entrou-me um prego de 10 cms pelo pneu de trás a dentro. A mudança de câmara foi rapidíssima mas para meu desespero a botija de CO2 ficou mal encaixada o que me impediu de encher o pneu com uma pressão minimamente adequada.
Acabei por fazer a subida mais longa a 5/8 km/h e a sentir o aro a bater em tudo que era pedra ou tronco. Só no final desta, depois de ter estado parado bastante tempo, houve alguém que me emprestou uma bomba que lá serviu para meter o pneu a 20/30 psi. Recuperei muitos lugares tendo terminado em 19.º. Pelas minhas contas, retirando o tempo perdido nas paragens e na subida tinha seguramente ficado numa das 3 primeiras posições.
Enfim... ficou provado que por muito bem que se preparem as coisas, há factores que escapam totalmente ao nosso controlo.
Hoje decidi-me a voltar ao local do furo e tentar encontrar o maldito do prego porque se meteu na cabeça que queria ficar com ele como símbolo da incapcidade que temos para gerir tudo o que se nos depara. Uma ideia meia parva? Talvez...
Decidi lá chegar fazendo em sentido contrário a tal subida que percorri quase a passo na prova. Ora feitos 30% da descida arranjei maneira de fazer um rasgão no pneu traseiro e não houve selante que lhe valesse. Como senti que ainda havia latex líquido no interior do pneu, arrisquei e gastei a única botija de CO2 que tinha mas claro que o furo não vedou.
Restou-me subir tudo de novo a pé e beneficiar da ajuda de algumas pessoas da povoação mais próxima que me ajudaram emprestando-me uma bomba poupando-me ao esforço e à vergonha de arrastar a bicicleta por cerca de 5kms até à estação de serviço mais próxima.
Importa referir que sem antes desmontar a válvula do aro é praticamente impossível retirar de lá o pneu sem desmontas.
Enfim... o pneu montado sem câmara resistiu a 200kms de violentos maus tratos mas não sobreviveu às más energias daquele local.
Mas hei-de lá voltar... fica prometido...
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