Saturday, August 18, 2007

Montagem sem câmaras

Hoje arranjei maneira de deitar a mão a dois kits de conversão tubeless da DT Swiss.

Fartíssimo de furos lentos e perfurantes dos Nobby Nic, não hesitei em dar-lhes uso imediato.

Primeiro fui ao site http://www.notubes.com confirmar se os Schwalbe são compatíveis com montagens sem câmara. Parece que sim... Ainda bem. A DT Swiss entretanto afirma que o kit só é aplicável a pneus do tipo UST. Decidi não dar demasiada importância a esse facto até porque os Nobby Nic, mesmo montados com câmara, depois de cheios encaixavam no aro de forma tal que para os retirar após um furo era preciso empurrá-los com alguma força para se soltarem. Excelentes indicações de compatibiliadade portanto.

Segui as instruções à risca mas cedo percebi que só com uma bomba de pé talvez até lá chegasse mas ia perder muito tempo e muito selante...

Assim, instalei as fitas enchi (com a bomba de pé) os pneus até à pressão máxima que consegui (não chegou a 25psi) e repeti o processo umas quantas vezes até porque o ar se escapava totalmente em poucos minutos. Mesmo após estes trabalhos havia sempre uma zona ou outra em que o lado do pneu não contactava o aro.

Peguei nas rodinhas e no material, meti no carro e fui a uma bomba de gasolina bem espaçosa e calma. Foi o melhor que fiz...

Após recolhida a respectiva autorização do empregado, enchi de imediato os pneus até aos 45psi e ambos estalaram no processo indicando que a borracha já estaria muito melhor "acamada" apesar das evidentes fugas. O pior é que havia um rasgão bem grandito no pneu de trás.

Mesmo assim arrisquei e lá foi o selante para dentro.

Assim que meto ar na roda da frente levei um banho de latex que saía abundantemente pelas bordas do aro mas fui agitando o pneu e as zonas de fuga reduziram-se a um único ponto que mesmo assim estava bem difícil de se resolver a calar. Já em desespero decidi meter mais ar e o pneu estalou de novo e foi o fim da fuga. Ficou com próximo de 50 psi.

O de trás aparentemente estava tão bem encaixado que só perdeu latex pelo tal rasgão. Depois de muito vira e revira lá se deixou estar sossegado. Ficou igualmente com a mesma pressão (50 psi).

Chegou então o desejado momento do teste que, seguindo as instruções sobre o assunto, foi feito de imediato porque há que rodar as rodas tão brevemente quanto possível.

Primeiro há que dizer que normalmente ando com 40 psi pelo que usar pressões próximas de 50 criou algumas dificuldades de análise.

Vamos então por partes...

Conforto - apesar da maior pressão pareceu-me, repito, pareceu-me que o rolar era mais confortável. Mais não digo porque é uma sensação difícil de definir. Uma coisa porém é certa. Mais 10 psi deveriam ter resultado na sensação contrária e de facto a descer em zonas acidentadas notei que a bicicleta saltava mais. Curiosamente, em terrenos mais normais os 50 psi não se fizeram sentir.

Resistência ao rolamento - aqui o ganho foi evidente mas pode-se ter devido todo à maior pressão

Aceleração - meu Deus, que diferença. Quando já tinha uma bicicleta que se evidenciava por esse lado (rodas, pneus e câmaras leves e rigidez lateral) nem queria crer que ainda era possível melhorar o que para mim já era óptimo. 3 pedaladas e a bicicleta sai disparada.

Subidas longas - repeti uma subida que tinha feito dois dias antes e subi-a nitidamente mais rápido para um esforço semelhante apesar de ter notado os tais 50 psi a tirarem-me tracção (e segundos) nas zonas mais trialeiras. A subida é longa (demora próximo de 12/14 minutos) e tem zonas com um coeficiente técnico alto. A coisa mais notória foi que estava de facto a meter mudanças mais pesadas uns metros mais cedo após as rampinhas trialeiras que se sucediam.

Comportamento da roda da frente em curva - este assunto preocupava-me e hoje decidi fazer umas quantas curvas à procura do limite do pneu. Posso mais uma vez estar a ser influenciado pelas circunstâncias mas é um facto que curvei mais depressa. Isso é relativamente fácil de verificar quando se passa no mesmo local em dias seguidos.

Enfim... amanhã vem a prova definitiva visto que os pneus vão para 40 psi. Por enquanto está tudo bem e ao tacto os pneus estão tão duros como quando os enchi da última vez.

Quanto aos furos tenho muitíssima esperança que pelo menos diminuam a frequência que neste momento se situa em 1 por cada 70 kms.

Fica a pergunta razoável: porque raio se usaram os 50 psi na primeira montagem sabendo-se que uma das grandes vantagens desta solução é precisamente a possibilidade de se rolar com pressões mais baixas (no meu caso algo em torno de 35 psi)?

Simples. Não li isto em nenhum lado mas o facto dos pneus terem já 500 kms às costas e um historial de furos e rasgões levou-me a pensar que haveria vantagens em "esticar" a borracha ao máximo para que os potenciais pontos de fuga de ar fossem ligeiramente maiores forçando mais látex a navegar para lá para os tapar. Após baixar a pressão os orifícios ficam mais bem vedados (com mais látex) do que ficariam se não se usasse este processo. Por outro lado quanto maior a pressão à partida mais "colado" ao aro fica o pneu.

Mais conclusões brevemente...

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